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sábado, 26 de setembro de 2009

A Estratégia, a Gestão e a Operação

O quanto a Empresa ainda pode crescer dentro deste mercado?
Qual o valor real de cada Cliente?
Qual a participação da Empresa no mercado alvo?
De que forma a Empresa deve se relacionar com seu público alvo?
Como conquistar e manter os melhores Clientes?
Como saber quais são os melhores Clientes?
Como alinhar e gerir a estratégia de relacionamento com os Clientes e os seus processos viabilizadores?
Qual a melhor tecnologia para apoiar a remodelada operação?

Estes são apenas alguns poucos e simples exemplos de perguntas e definições que as Empresas devem se perguntar.
A Verdadeira, estruturada e dinâmica gestão dos processos que suportam a estratégia de relacionamento com os Clientes é uma realidade para poucas e inovadoras Empresas, e sem dúvida, uma necessidade latente e incontestável para a maior parte do mercado mundial – Independentemente do Porte e Indústria que a Empresa faça parte.

Há algum tempo venho pesquisando, trabalhando e estudando sobre como criar um alinhamento efetivo e gerenciado entre a camada mais estratégica das empresas e a sua operação diária.
Não vou falar das técnicas e métodos que surgiram nas últimas décadas, pois como pude constatar - estudando e atuando no cotidiano das empresas e seus processos, a verdade é que, entre a estratégia definida, a sua operacionalização e gestão, em algum momento do caminho, este importante elo se perdeu completamente.

Fato:
As Empresas continuam elaborando estratégias e diretrizes de negócio excelentes, mas também continuam extremamente inábeis de gerir e garantir a sua realização.

Sei que muitos poderão se incomodar e até mesmo discordar do que disse. Não sou o dono da verdade, e claro, é direito seu ter outra opinião, mas para lhe ajudar a entender melhor o meu ponto de vista, vou lhe fazer uma pergunta simples:

- Você conhece alguma empresa que REALMENTE realiza as definições estratégicas em seu cotidiano de forma VISÍVEL, CONTROLADA, MEDIDA e facilmente MUTÁVEL?

Antes de me responder, vamos estabelecer alguns conceitos existentes nessa minha pergunta:

REALMENTE: posso dizer que é equivalente a algo definido e feito de forma prática, realista e viável – Algo que vai muito além das reuniões e divagações estratégico-filosóficas.

VISÍVEL: é quando a gestão enxerga a mais pura realidade da operação – Nada parecido com a miopia gerencial que encontramos no dia a dia, ou mesmo aquela “perfeita” perspectiva isolada que os gerentes possuem sobre a “sua” equipe e o trabalho por ela realizado.

CONTROLADA: sabe quando definimos algo ótimo no papel (diagrama, modelo, post-it, memorando, norma, etc.) e, quando vamos colocar em prática, no dia seguinte já não funciona conforme o definido? Isso é algo que não está nem perto de ser realmente controlado.

MEDIDA: quais os indicadores de resultado ou desempenho que estão sendo monitorados? Quem os definiu? De que forma? Como se bonifica algo na Empresa? Estamos apurando - efetivamente - a quantidade de trabalho realizado, ou o resultado apurado desse trabalho? Se algo não pode ser medido... Muito provavelmente erramos na definição do conceito, do objeto, ou da forma que deveria ser medido.

MUTÁVEL: os processos/atividades de apoio, gestão e negócio podem sofrer mudanças conforme a necessidade da Empresa, ou escrevemos tudo em pedra? Cada vez que algo precisa mudar, o seu tempo total para a mudança praticamente a inviabiliza? Isso é algo longe de ser considerável mutável.

Agora com os conceitos estabelecidos, vou perguntar mais uma vez:

- Você conhece alguma empresa que REALMENTE realiza as definições estratégicas em seu cotidiano de forma VISÍVEL, CONTROLADA, MEDIDA e facilmente MUTÁVEL?

Tendo a imaginar que você respondeu que não conhece, e se você respondeu que conhece – Por favor, me diga como faço para conhecer este raríssimo espécime.

A prática nos mostra que as Empresas ainda têm muita dificuldade na realização da estratégia definida, pois quando saímos da sala de reunião, as atividades do dia-a-dia continuam nos consumindo em tarefas menores e repetitivas, são muito os problemas operacionais e os terríveis “incêndios” reincidentes que precisamos apagar.
Ainda temos um equivocado orgulho em demonstrar que nos matamos de tanto trabalhar naquele determinado dia.
E você sabe do pior? Aquele dia foi exatamente igual ao anterior.
E como será amanhã?
Será que os problemas milagrosamente desaparecerão?
Eu posso apostar que não.

É muito comum nas definições estratégicas errarmos na precisão, e pior ainda, não considerar a real necessidade de capacitação de pessoal, de investimento e tecnologia de apoio, do verdadeiro tempo necessário para alcançar alguns dos objetivos.
Lembrando que uma Empresa é feita de pessoas, podemos intuir que essa dificuldade é nossa. Nós – profissionais - precisamos nos capacitar e adquirir o saudável hábito de RACIOCINAR.

Outra coisa muito importante, e quase um lembrete:

A partir do momento que dependemos exclusivamente da memória para nos lembrar de como deve ser feita uma atividade, e da boa vontade de um colaborador para realizar esta atividade conforme definida, realizar o processo que atende à determinada definição estratégica é praticamente um jogo de azar.

Dito tudo isso... Acho que – finalmente - tenho uma boa notícia:
O alinhamento entre a Estratégia, a Gestão, e a Operação, são possíveis.

Não tenho a pueril pretensão de definir neste texto uma fórmula mágica e incontestável, mas, como profissional e estudioso do assunto, devo dizer que – finalmente - estamos caminhando para a realização diária de boa parte da teoria existente.
Tenho participado e vivenciado projetos que não se parecem mais com muitos outros anteriores.
As empresas estão amadurecendo. Não tenho visto tanta venda de gestão travestida de software, e vice-versa. Hoje, eliminando os “profetas” e oportunistas que insistem em vender softwares que resolvem tudo, tenho percebido uma salutar descrença no imediatismo de resultados. Estamos vivenciando projetos que nascem com previsão mais realistas de retorno. Essa é a primeira evidência desta maturidade.

Para não me estender demais neste post, gostaria de finalizar dizendo que, somente quando os Profissionais, e principalmente, os Consultores, tratarem o assunto com a devida seriedade, teremos uma VERDADEIRA compreensão do tema, e mais ainda, o entendimento da real NECESSIDADE de alinhamento entre todos os conceitos, práticas e técnicas que regem a realizam a Estratégia, a Gestão e a Operação das Empresas.

Uma Empresa é muito mais que um mapa de diretrizes estratégicas definidas e aprovadas hermeticamente isoladas da realidade operacional.
Uma Empresa é muito mais que um conjunto de atividades que precisam ser realizadas e pessoas que precisam ser controladas.
Uma Empresa é muito mais que um parque tecnológico recheado de sistemas legados esperando por modernização ou substituição.

Salvo raras exceções, uma empresa precisa mais dos seus Clientes, do que os Clientes precisam dos seus produtos e serviços.
Para essa conta funcionar é preciso ter a Estratégia, a Gestão, a Operação e as Tecnologias de apoio trabalhando a favor do negócio – e saiba que, isso não é algo simples e trivial de se fazer.
O esforço é muito grande, e ao mesmo tempo, impiedosamente mandatório.
A sobrevivência corporativa no mercado atual e futuro não é questão de ter o melhor produto, ou o mais barato, mas sim uma questão de percepção de valor pelo seu mercado consumidor.

Ajudar a criar, e manter essa percepção, é o nosso desafio diário.

Gart Capote

3 comentários:

R2P disse...

Gart,
O problema então está aonde? Na equipe de TI que não consegue suportar o negocio?
Ou no corpo Estratégico da empresa que não enxerga que precisa de uma mudança?
Tenho vivenciado em todos os projetos que trabalhei uma seqüência de erros, desde a definição de projetos até a escolha de uma sigla/tecnologia bonita pra substituir outra, pois aquela implantada está fora de moda.
Esse problema é Brasileiro? Como o mundo está posicionado acerca disto?

Forte abraço.

Não basta cada um fazer a sua parte. É preciso que haja alguma troca entre esses solitários. Porque a ação da cidadania pode ser solitária, mas a ação coletiva é imprescindível. disse...

Gart, gostaria de ter o acesso gratuito ao curso de BPM do qual você comentou.

Gart Capote disse...

R2P,
Entendo a sua angústia, pois é a mesma da maioria dos profissionais envolvidos no tema.
Quanto a propriedade ou naturalidade do problema - se é Brasileiro, ou como o mundo está posicionado – posso dizer que:
Enquanto houver a percepção de necessidades e soluções distintas, isso continuará.
Uma empresa é um organismo complexo, não basta a área A ou B diagnosticar o seu problema e propor uma solução.
Obter uma visão holística deste complexo organismo é o primeiro passo. É preciso levar a sério o alinhamento da estratégia, dos processos, das tecnologias, e principalmente, a mudança na cultura dos profissionais. Isso não é alcançado em curto prazo, e é preciso muita perseverança. Caso contrário, criamos mais um modismo inútil e altamente desgastante.

Espero ter ajudado.
Um abraço,
Gart Capote